Empresas podem manter o benefício fiscal mesmo com despedimentos por mútuo acordo, desde que não haja abuso. Saiba os limites e regras desta isenção.
Benefício fiscal e despedimentos: o que muda?
As empresas que beneficiam do Crédito Fiscal Extraordinário ao Investimento (CFEI II) estão impedidas de despedir trabalhadores por despedimento coletivo ou extinção de posto de trabalho durante três anos. No entanto, rescisões por mútuo acordo são permitidas, desde que não configurem abuso, segundo a Autoridade Tributária (AT).
Criado durante a pandemia para impulsionar investimentos empresariais, o CFEI II permitiu às empresas deduzir 20% dos investimentos realizados entre julho de 2020 e junho de 2021, com um limite de cinco milhões de euros. Embora o regime já tenha terminado, as deduções continuam a ser aplicáveis até 2026.
Despedimentos e rescisões: critérios e limitações
O regime estabelece que as empresas não podem recorrer a despedimentos coletivos ou à extinção de postos de trabalho para manter o benefício fiscal. No entanto, a rescisão por mútuo acordo não se enquadra nestas modalidades, permitindo que as empresas continuem a usufruir do incentivo desde que respeitem os critérios definidos pela legislação.
A AT esclarece que, mesmo que uma rescisão por mútuo acordo tenha como base motivos que justificariam um despedimento coletivo ou por extinção de posto, essa modalidade não impede o acesso ao CFEI II. No entanto, há limites impostos pelo Decreto-Lei n.º 220/2006 para evitar abusos na concessão do subsídio de desemprego.
Prevenção de abusos e critérios legais
A rescisão por mútuo acordo deve cumprir determinados limites para que o trabalhador tenha direito ao subsídio de desemprego e a empresa mantenha o benefício fiscal. Estes limites visam impedir que as empresas utilizem essa modalidade como forma simplificada e menos onerosa de reduzir o quadro de pessoal.
De acordo com a legislação, aplicam-se as seguintes restrições:
Importância do cumprimento das regras
As empresas que pretendam beneficiar dos incentivos fiscais devem garantir que cumprem rigorosamente as regras estabelecidas. A AT pode penalizar empresas que utilizem rescisões por mútuo acordo de forma abusiva, o que pode resultar na perda do benefício fiscal.
O objetivo do CFEI II sempre foi promover a recuperação económica e incentivar investimentos sustentáveis, não servindo como um mecanismo para facilitar despedimentos disfarçados. Assim, para evitar complicações futuras, as empresas devem assegurar que todas as rescisões respeitam os limites legais e não configuram abuso.
O benefício fiscal associado ao CFEI II continua a ser uma vantagem para muitas empresas, mas o seu usufruto exige cumprimento rigoroso das normas laborais. As rescisões por mútuo acordo são permitidas, mas sujeitas a critérios específicos para evitar abusos. Empresas que não cumpram estas regras correm o risco de perder o incentivo fiscal e enfrentar penalizações. Seguir as diretrizes da AT é essencial para evitar problemas e garantir a continuidade dos benefícios fiscais.
Fonte: SUPERCASA